Olá, amigos.
Não poderia haver melhor oportunidade para Lewis Hamilton substituir a sua unidade motriz do que no GP de São Paulo, nesta sexta-feira. Estava no seu Mercedes modelo W12 desde a prova em Istambul, na Turquia, e utilizada, na sequência, nas provas dos Estados Unidos e do México.
Hora certa porque Hamilton foi, hoje, o mais rápido na sessão que definiu o grid da sprint race, competição a ser disputada amanhã, em Interlagos, com largada às 16h30, a fim de definir o grid da corrida do domingo, obviamente a mais importante do programa, com largada às 14 horas, sempre de Brasília.
A punição de cinco posições no grid é aplicada na prova principal do programa, ou seja, a corrida, no domingo.
Assim, Hamilton largará na pole position, neste sábado, e no domingo cinco posições a mais da sua colocação final na sprint race, responsável por distribuir apenas 3 pontos para o vencedor, 2, segundo colocado, e 1, terceiro. Já a corrida do domingo, 25 para o primeiro lugar, 18, segundo, 15, terceiro. Até o décimo todos recebem pontos.
O limite é de três unidades motrizes por piloto para todo o campeonato. Quem recorre a uma quarta, como o inglês no Istambul Park, perde dez colocações no grid. Nas demais trocas, como agora, a quinta, cinco.
O prejuízo para os pilotos tende a ser menor quando há no programa a sprint race. Este ano houve no GP da Grã-Bretanha, Itália e agora, São Paulo. Há outro elemento que joga a favor de Hamilton, como lembrou Steve Nielsen, diretor 1esportivo da F1, com quem converso frequentemente, “Interlagos não está dentre as pistas de maior dificuldade para ultrapassar”.
Max Verstappen, da Red Bull-Honda, herdou a pole position do adversário na luta pelo título ao obter o segundo tempo, surpreendentemente 438 milésimos pior. O próprio Max imaginava poder ser mais rápido, pelo histórico de seu time em Interlagos. Venceu a última edição do GP, em 2019, sem dificuldades. Em condição de corrida, a exemplo do México, há uma semana, a Red Bull-Honda deve ser mais competitiva.
Troca de Max ficou para Jeddah
Por alguns instantes acreditei que Gianpiero Lambiase, engenheiro de Max, fosse decidir com seu grupo de trabalho substituir também a quarta unidade motriz instalada no modelo RB16B-Honda em Sochi, na Rússia. O holandês a manteve no carro, na sequência, nas etapas da Turquia, dos Estados Unidos, do México.
Veja a classificação e o calendário da F1
Como não o fizeram aqui em São Paulo, é muito provável que Max terá uma unidade motriz nova e completa no desafiador Circuito de Jeddah, na Arábia Saudita. A F1 vai ao Qatar, dia 21, depois Jeddah, 5 de dezembro, e encerra o ano em Abu Dhabi, 12.
A expectativa de Toto Wolff, sócio e diretor da equipe Mercedes, é de que Hamilton não mais precise de uma nova unidade motriz para três provas restantes depois da em Interlagos.

Já Max, líder do mundial, 19 pontos na frente de Hamilton (312,5 a 293,5), deverá recorrer também a uma quinta unidade motriz. Isso tudo porque o evento no Circuito de Jeddah vai expô-las a severas exigências. Seu traçado é de altíssima velocidade e tem o maior trecho de aceleração plena do calendário, cerca de incríveis três mil metros.
Se como me disse Nielsen a Mercedes optou por Interlagos também pela possibilidade de Hamilton avançar na classificação, largando por exemplo na terceira fila do grid, domingo, a Red Bull já está contando que será da mesma forma na Arábia Saudita, usando como referência ao que assistimos em Baku, no Azerbaijão, com sua pista dotada de um segmento com dois metros de pé no fundo o tempo todo. As ultrapassagens são frequentes.
A diferença é que a troca completa da unidade motriz lançará Max para a última fila, como ocorreu na Rússia.
Substituição limitada surpreendeu
Sabe o que mais me chamou a atenção na decisão de Peter Bonnington e seus engenheiros, o grupo ao redor de Hamilton? Foi vê-los substituir somente o motor de combustão interna (ICE). Falamos disso, lembra?
A unidade motriz é composta por sete elementos: o conjunto turbina-compressor (TC), o sistema de recuperação de energia cinética (MGU-K), o de energia térmica (MGU-H), as baterias (ES), a central eletrônica de gerenciamento (CE) e o escapamento (EX).
Com exceção do escapamento, em que são autorizados oito jogos por ano, Hamilton está no limite de todos os demais: terceiro TC, MGU-K e MGU-H, segundo ES e CE. Todos estão no seu carro desde Istambul. A Mercedes está apostando não ser necessário trocá-los. Dessa forma, os seis terão de suportar sete GPs, sendo que em um deles, em Jeddah, a exigência será máxima!
Só esclarecendo: a troca de cada um desses componentes gera a perda de cinco posições no grid. Se ultrapassar 15 posições, pela substituição de mais de três elementos, o piloto vai para o fim do grid, como com Max na Rússia.

É possível que a Red Bull-Honda faça o mesmo em Jeddah, ciente de contar com um carro muito rápido, ser possível ultrapassar e os costumeiros incidentes nos circuitos de rua gerarem com frequência a entrada do safety car, compactando os pelotões.
Obviamente os profissionais da Mercedes dispõem dos mais distintos e precisos dados para avaliar a situação. “É uma aposta calculada”, disse Andrew Shovlin, diretor de engenharia da escuderia alemã. O raciocínio mais lógico e linear, no entanto, propõe a minha dúvida.
E a resposta é a descrita: para os engenheiros sob a coordenação de Hywel Thomas, responsável pelas unidades motrizes alemãs, Hamilton vai até o fim do campeonato com o que tem.
Gera menos cavalos com o uso
Curiosamente, Wolff explicou hoje que um dos motivos de a Mercedes se decidir por colocar uma quinta unidade motriz, ou melhor, o motor de combustão interna (ICE) da unidade motriz, no carro é Hamilton é a característica detectada na versão usada este ano: “Não sabemos ainda a razão, mas nossos motores (unidades motrizes) perdem potência com o uso”.
Depois de algumas corridas, a unidade motriz Mercedes acusa o golpe, responde com menos cavalos. “Vimos nos últimos anos que quando superam os mil quilômetros os motores começam a perder potência. O deste ano estão se degradando bem mais que os anteriores. Assim, se mantivéssemos o quarto motor no carro de Lewis teríamos menos cavalos na Arábia Saudita e em Abu Dhabi.”
Band tem cobertura de mais de 15h no fim de semana de GP de São Paulo
Como são três unidades motrizes para 22 etapas, portanto uma a cada sete GPs, em média, e em cada uma os pilotos percorrem, também em média, 800 quilômetros, entre as três sessões de treinos livres, a de classificação e a corrida, cada unidade motriz deve suportar cerca de 5.600 quilômetros.
Pela explicação de Wolff, já no segundo GP da unidade motriz haveria uma perda de potência para evoluir progressivamente.
Vamos lá, amigos. Tivemos já nesta sexta-feira uma competição, a tomada de tempos para a corrida de 24 voltas neste sábado, a sprint race. E no domingo, a corrida em 71 voltas do GP de São Paulo. Voltamos a nos falar neste sábado, de Interlagos.
Abraços.